domingo, 14 de abril de 2013

haikai nº 10

Seus olhos de mel
De brilho efusivo
Ofuscam o céu.

haikai nº7

                                                                                                   

Dia de tédio.
Uma noite de paixão
É meu remédio.

...suspenso...

Um céu escuro, a noite estrelada
Enfeitam meu verso sombrio
Corre alta a madrugada
E dentro d’alma faz frio.

Tudo é azul no universo, imenso.
Não é inverno, nem faz verão.
O espaço está suspenso
E o tempo é uma ilusão.

Penso nela e ela não está aqui
E para além do aqui nada importa.
Não há o lá, o além, o ali.
A noite é finda e a manhã nasce morta.

Penso nela e a desejo agora
E nada além do agora existe
A manhã parte, o dia vai embora
E a noite chega, de novo, mais triste.

São longos dias de dor e de pena
Não cabe neles meu pranto contido
Também não cabe em meu pobre poema
Tanta tristeza e amor reprimido.

São longas noites de reza e de choro
à todos os deuses e aos bons serafins.
Até os santos anjos em coro
Rogam que um dia ela volte pra mim.




                                                                                          Audrei Teixeira
                                                                                            17/05/2012

domingo, 7 de abril de 2013

SENSCIÊNCIA

SENSCIÊNCIA
SEM CIÊNCIA






                                                                         Audrei Teixeira

Eu vou te tomar de assalto!

Eu vou te tomar de assalto!
Como o proletariado em Paris.
Derrubar teus muros
como os jovens de Berlim
Saquear teu corpo
Sitiar a tua alma
E te cobrir de flores
Como numa primavera em Praga.
Vou erguer barricadas
e trazer à tona todo o Amor
reprimido pelo asfalto.
Vou cantar hinos
Palavras de ordem
Proclamando meu domínio sobre ti.
Vou me perder em teus braços
Para me reencontrar
um novo ser
numa nova sociedade
A Utopia
A Ilha de Lesbos
O Eldorado
Vou fazer do meu poema um grito
pelos oprimidos
Fazer do meu poema um pranto
pelos vencidos
Fazer do meu poema um canto
de louvor e adoração
ao teu Ser
Fazer deste poema um manifesto
à favor do nosso Amor.






                                                                                           Audrei Teixeira

Permanência

Por mais que o instante seja efêmero
algo que é eterno permanece em algum lugar
porque tudo o que há no Universo é pleno
e cada momento carrega em si
a centelha que permeia o Todo
o tempo todo.
Por mais que a gente viva
na ilusão do eterno agora
outros tempos, outros espaços
ocorrem simultaneamente
em universos paralelos.
Sendo assim o passado
é algo que ocorre ainda
em algum outro lugar.
E o futuro pelo qual ansiamos tanto
com a inocência da novidade
é algo que já vivenciamos
também em outros espaços.
Aliás, quem é que pode definir
quando é que termina um tempo
e começa outro?
Ou se as coisas com as quais sonhamos
que só vivenciamos na imaginação
são, de algum modo, menos reais?
Será que nós não as vivemos
em algum mundo paralelo
e ao dormir
sonhamos com este aqui?
Ou será que ambos os mundos
se complementam
e que é a nossa mente limitada
que enxerga tudo fragmentado
criando a ilusão do passado,
presente e futuro
do real e irreal?
Mas é certo que as coisas mudam.
Não é?
Mas existe um fio muito tênue
que liga todas as coisas
e todas as realidades
onde quer que elas ocorram.
Afora todas as mudanças
que transcorrem
ao longo do espaço/tempo
pelo Universo afora,
apesar da brevidade do instante
e da eterna impermanência de todas as coisas
existe algo em nossa alma imortal
que é imutável
que está sempre lá.
Essa Essência está presente
em todos os momentos
e todos os momentos
estão presentes Nela.
E é por isso que eu
te carrego dentro do peito
hoje e desde sempre,
hoje e para sempre.
Mesmo você estando tão longe,
um lugar qualquer
em um instante qualquer,
você estará sempre aqui
no eterno agora
dentro de mim.








                                                              Audrei Teixeira
                                                                (em um dia qualquer no espaço/tempo...)

Haicai nº1

Menina louca!
 O teu prazer pulsava
Na minha boca.






                                                                                           Audrei Teixeira